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Novo Banco à venda? Os concorrentes portugueses parecem pouco interessados

Os presidentes dos cinco maiores bancos juntaram-se e há um tema que foi colocado em cima da mesa, que ninguém desmente, mas em que ninguém quer pegar: a venda do Novo Banco.

No CEO Banking Forum, iniciativa do Expresso e da Accenture, que se realizou esta quarta-feira, 11 de maio, António Ramalho foi o primeiro a ser questionado sobre a venda do banco. E a resposta foi direcionar a pergunta para os seus concorrentes: “não sei, tem-nos aqui”. E lá seguiram as questões.

“Não estou preocupado quem fica ou vai comprar o Novo Banco”, foi a resposta do presidente executivo do BCP, Miguel Maya, que mantém aquilo que diz há algum tempo: “O BCP não tem na sua estratégia um crescimento que não seja pela via orgânica. Obviamente que qualquer operação que apareça no mercado português […] pode olhar. Mas não é, de todo, a nossa estratégia”, declarou.

Aliás, “antes de tratar do Novo Banco”, o Governo deveria corrigir o “fardo” que os bancos “suportam”: a contribuição extraordinária sobre o sector bancário que financia o Fundo de Resolução para pagar os empréstimos do Estado. “É ordinária ou extraordinária? Este não é um problema do passado. Aí, teve de ser feito, para resolver problema emergente [a resolução do BES]; agora o pior que podemos fazer é, perante uma nova realidade, não a corrigir. Há que ter a coragem de a resolver, espero que esse tema seja resolvido pelo Governo e pela Assembleia da República”, continuou o BCP, que tem sido o mais vocal neste tema.

Santander dispensa Novo Banco

Se do BCP não há vontade de fazer compras, do lado do Santander a questão não se coloca mesmo ao nível da lógica. “O maior concorrente que nós vemos somos nós próprios. A maior competição é a competição interna de ter uma organização que se consiga transformar, mais aberta, com o cliente mais no centro”, disse Pedro Castro e Almeida. Não é a comprar bancos tradicionais que isso vai acontecer, frisou.

A aposta do Santander é mais em “parcerias” tanto no sector financeiro como fora, tendo em conta a “panóplia de novos concorrentes”, continuou Castro e Almeida. E se uma operação do género for imposta pelo Santander em Espanha? “A casa-mãe confia bastante na gestão em Portugal”, responde o presidente executivo.

BPI segue o caminho feito

O mesmo é dito pelo presidente executivo do BPI sobre o CaixaBank: “a casa-mãe confia muito na gestão portuguesa”. Sobre uma possível aquisição do Novo Banco, a ser vendido pela Lone Star, “a resposta é muito simples”: “felizmente, temos tido bastante sucesso, temos ganho quota de mercado, e é o caminho que vamos seguir”, remata João Pedro Oliveira e Costa

“O tema da consolidação é quase uma pergunta fétiche, mas a nossa grande preocupação é o nível de competitividade”, concretiza Oliveira e Costa.

Sobre este tema, Paulo Macedo não falou na iniciativa, mas a postura tem sido a de ver o que acontece nos concorrentes, porque a Caixa Geral de Depósitos não quer perder a posição de liderança no sector bancário português.

Ramalho sai de forma “clara para toda a gente”

Havendo venda ou não dos 75% da Lone Star, dos 23,44% do Fundo de Resolução e dos 1,56% do Estado, já não será com António Ramalho ao leme da instituição herdeira do BES.

Em relação à inesperada saída da presidência do banco, o CEO defendeu que foi anunciada “com mais do que tempo, para que fosse clara para toda a gente”. “Tinha uma missão, e sairei no dia em que fizer seis anos no banco”, reforça. Foi em 2016, ainda antes da venda de 75% do capital do banco, que Ramalho foi chamado para o Novo Banco, de que deixará de ser CEO em agosto. Defendeu que “era devido” o cumprimento do “princípio de que uma missão finalizada obriga a uma saída correta”. Fá-lo depois de ter sido criticado pelos acionistas minoritários, pelo Governo e pelos deputados, e enquanto aguarda auditorias sobre a sua gestão.

Deixando uma palavra de elogio aos trabalhadores do banco, o CEO lembrou que as expectativas da Comissão Europeia relativamente ao Novo Banco eram negativas, e que essa avaliação será feito com o tempo.

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