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Uma criança de dois anos morta à bomba, os heróis que regressam para lutar, e a incompetência militar russa: Ucrânia, dia 22

Primeiro, uma atualização positiva: ao longo do dia foram retiradas várias pessoas com vida do teatro de Mariupol, que ontem foi bombardeado com cerca de mil civis lá dentro. “Depois de uma noite de incerteza, recebemos finalmente boas notícias de Mariupol esta manhã. O abrigo antimísseis do teatro resistiu e os destroços estão a ser limpos. As pessoas estão a sair vivas do teatro”, informou o deputado Serhiy Taruta no Twitter, emblem pela manhã. A Itália disponibilizou-se para reconstruir o espaço cultural.

As notícias não são tão boas noutras cidades ucranianas: esta quinta-feira, Kharkiv e Chernihiv continuaram a ser alvos de ataques russos, sendo que o autarca desta última cidade garantiu à imprensa que 53 civis foram mortos por bombardeamentos nas últimas 24 horas. Em Novi Petrivtsi, uma vila a norte de Kiev, uma criança de dois anos foi morta à bomba.

Apesar disso, soube-se hoje que mais de 320 mil cidadãos ucranianos voltaram ao país de origem para ajudar a Ucrânia a lutar. “Os nossos rapazes não desistem; precisamos de ajudar, precisamos de lutar pelo nosso país. A Ucrânia deve ser livre, como todas as pessoas”, afirmou o Serviço de Guarda de Fronteira da Ucrânia.

Em sentido inverso, as Nações Unidas divulgou hoje novas contas sobre a emergência humanitária que o mundo acompanha há 22 dias: mais de três milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, a 24 de fevereiro. A organização liderada por António Guterres lembrou ainda que pelo menos 780 civis já morreram desde o início da invasão russa, incluindo 53 crianças, e pediu uma investigação judicial aos atos praticados a mando de Putin. EUA, França, Albânia, Irlanda e Noruega já acusaram o ditador de crimes de guerra, e o Reino Unido considera que as evidências disso mesmo “são muito, muito fortes.”

Outro avanço: oito dos nove corredores humanitários acordados entre a Ucrânia e a Rússia para esta quinta-feira não sofreram quaisquer ataques russos – incluindo um corredor de Mariupol. Assim, mais de duas mil pessoas distribuídas por 800 carros conseguiram atravessar território ocupado pela Rússia e chegar à cidade de Zaporizhzhia em segurança.

Um não avanço: o Pentágono garantiu que o exército russo está “congelado” e surpreendido pela “firme” resistência ucraniana, enquanto o Ministério da Defesa britânico fala em forças “paradas em todas as frentes” e em homens a precisar urgentemente de ser rendidos. “Putin pensou que seria uma campanha rápida, barata e fácil, sem muitas perdas e ganhando imediatamente a parada”, explicou ao jornal “El País” o normal italiano Claudio Graziano, a mais alta patente do Comité Militar da União Europeia.

O dia político ficou marcado por outro discurso de Volodomyr Zelensky. Desta vez, o Presidente ucraniano falou para o Bundestag: “Deite abaixo este muro”, pediu o Presidente ucraniano a Olaf Scholz, primeiro-ministro alemão. O governo da Ucrânia admitiu uma “reunião especial” entre Zelensky e Putin, mas o próximo passo em direção à paz não será fácil: segundo fontes governamentais do jornal “The Guardian”, as duas partes estão “muito longe” de um acordo.

As negociações vão prosseguir nos próximos dias com a urgência de um cessar-fogo em cima da mesa, mas hoje o Kremlin avisou: a Rússia vai ficar com a região da Crimeia “para sempre” e rejeita a ordem dada ontem pelo Tribunal Internacional de Justiça para pôr um fim aos ataques em solo ucraniano.

Do lado ocidental, Joe Biden falou ao telefone com Xin Jinping sobre a Ucrânia – mas nada de significativo saiu do encontro, talvez porque a China continua a desviar-se de perguntas incômodas sobre os crimes cometidos pelos russo nos últimos dias. Ainda assim, os EUA mantêm a pressão: Putin “não está a ceder e pode estar cada vez mais desesperado”, atirou Antony J. Blinken, secretário de Estado dos EUA, ao mesmo tempo que reforçava o adjetivo usado por Biden para qualificar o ditador russo – “criminoso de guerra”. Além disso, o responsável norte-americano alertou que Moscovo pode estar a preparar-se para usar armas químicas na Ucrânia.

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