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EUA ameaçam China com “custos” de apoiar Rússia e investigam possíveis crimes de guerra – Observador


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Foi uma conferência de imprensa dura, que incluiu ameaças à China e previsões sobre os próximos atos de guerra da Rússia, a que o secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken, deu esta quinta-feira, no mesmo dia em que Joe Biden classificou Vladimir Putin como um “ditador assassino” e “rufia puro”. 

Com os Estados Unidos a elevarem o tom contra a Rússia, Blinken entrou na sala preparado para deixar uma garantia: no seu entender, como no de Biden, os ataques da Rússia a uma maternidade ou a um teatro, entre outros alvos civis onde se refugiavam também crianças, mostram que “foram cometidos crimes de guerra na Ucrânia”.

“Atacar deliberadamente civis é um crime de guerra. Depois de toda a destruição destas três semanas, acho difícil concluir que os russos estão a fazer outra coisa”, frisou, antes de informar que o governo norte-americano conta com peritos que estão a avaliar indícios dos possíveis crimes de guerra para contribuir para as investigações internacionais. Do lado dos Estados Unidos, a investigação será conduzida pela recém-nomeada embaixadora para a justiça felony world, Beth van Shaack.

“Ditador assassino” e “rufia puro.” Joe Biden endurece o discurso contra Vladimir Putin

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Entre as variadas críticas à Rússia, Blinken incluiu referências aos jornalistas e repórteres de imagem que já morreram no conflito e às consequências nos preços de bens essenciais e dos combustíveis, assim como genericamente no estado da economia mundial. “As ações da Rússia estão assim a ter um impacto sobre todas as pessoas do mundo, não importa onde vivam”. Assim como sobre a própria Rússia, de resto: “Numa questão de semanas, Putin destruiu trinta anos de um processo de abertura ao mundo e oportunidades económicas para o povo russo”.

Mas avisos não foram dirigidos apenas à Rússia: enquanto falava sobre os esforços diplomáticos que os outros países, particularmente os que têm boas relações com Vladimir Putin, devem fazer, Blinken focou-se na China.

Um dia antes de Joe Biden e o homólogo chinês, Xi Jinping, falarem ao telefone sobre a invasão da Ucrânia e de outros temas, Bliken encarregou-se de deixar o recado, em tom de ameaça: “[A China] tem uma responsabilidade em particular de influenciar Putin, mas parece que está a movimentar-se na direção contrária, equacionando apoiar militarmente a Rússia”. E, se isso acontecer, os Estados Unidos deixam uma promessa: “Não hesitaremos em impor custos” ao regime chinês.

Quanto ao decurso da guerra, as previsões norte-americanas são negras: em poucos minutos, Blinken lembrou táticas antigas já usadas pela Rússia noutros conflitos e antecipou que Moscovo “pode estar a preparar-se para usar uma arma química e depois acusar erradamente a Ucrânia, para justificar a escalada dos ataques sobre o seu povo”; que vai trazer mercenários de outros países para terreno ucraniano; e que pode, como já começou a fazer, começar a “raptar sistematicamente” autarcas e autoridades locais e “substituí-las por fantoches”.

Ainda assim, insistiu Blinken, a invasão “não está a correr de acordo com os planos” da Rússia, dada a “extraordinária coragem” com que a Ucrânia está a lutar e as “sanções sem precedentes” que os outros  países estão a impor.

Com muitas garantias e lembretes sobre as ajudas militares e humanitárias que os Estados Unidos têm providenciado à Ucrânia, o governante sublinhou que o objetivo é “parar a guerra” e saudou os esforços da Ucrânia para manter as negociações de paz apesar de continuar a ser atacada. Mas os EUA não pararão de tentar fornecer materials militar ao país: afinal, garantiu, o objetivo desse armamento e das sanções económicas é garantir que o país de Volodymyr Zelensky está na melhor posição possível quando as negociações para a paz chegarem.

O problema é que não há grande fé nos resultados das conversações que estão a acontecer: do lado russo, insistiu, não há provas de “quaisquer esforços significativos para pôr fim a esta guerra através da diplomacia”. “Não vejo sinais de que Putin esteja preparado para parar. Pelo contrário, parece estar a ir na direção oposta”, avisou.

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