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Sismo e Senegal são os primeiros linces-ibéricos reintroduzidos na natureza desde 2015

Sismo e Senegal, macho e fêmea, respetivamente, foram os primeiros linces-ibéricos a ser reintroduzidos na natureza desde 2015. Esta solta teve lugar hoje, pelas 15h, em Alcoutim. Nascidos no Centro de Reprodução em Cativeiro de El Acebuche (Andaluzia), ilustram um passo essencial sete anos após o início do processo de reintrodução.


“São agora referenciados cerca de 200 exemplares distribuídos por um vasto território que se estende entre os concelhos de Serpa e de Tavira. Um dos aspetos mais relevantes de 2021 foi a consolidação da população em território algarvio, que já contava com cerca de 20 exemplares e que agora soma mais 2: Sismo e Senegal. Durante o ano passado, registou-se ainda a ocorrência de 9 nascimentos na região do Algarve, existindo ainda um amplo território que poderá vir a ser ocupado pela espécie”, lê-se no comunicado enviado às redações pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).


“Para esta situação muito positiva tem contribuído a colaboração de proprietários e de gestores de herdades e de zonas de caça, uma gestão sustentável do território, a abundância de coelho-bravo, uma atitude favorável evidenciada pela população local à presença do lince e a conectividade da população de linces do Vale do Guadiana com as presentes noutras áreas de Espanha, fundamental para o incremento da variabilidade genética”, continua o instituto que tem por missão propor, acompanhar e assegurar a execução das políticas de conservação da natureza e das florestas. V


“A área de reintrodução em Portugal, foi selecionada em 2014, no âmbito do projeto LIFE Iberlince. A área do Vale do Guadiana compreende territórios dos concelhos de Mértola, Serpa e zonas adjacentes, para onde os linces se dispersaram naturalmente, situadas nos concelhos de Alcoutim, Castro Verde e Beja”, declara, indicando que “estas áreas estão agora a ser consolidadas, ampliadas e interligadas no âmbito do projeto LIFE Lynxconnect”. Este é liderado pela CAGPyDS da Junta de Andaluzia, iniciado em setembro de 2020 e que, em Portugal, tem como parceiros, para além do ICNF, a CIMBAL e a Infraestruturas de Portugal, IP.


O ICNF esclarece que “a reintrodução é um processo a médio longo prazo que tem como objetivo estabelecer uma população viável e que mantenha um fluxo genético regular com outras populações de lince, restabelecendo a situação favorável à espécie”.


Recorde-se que, em fevereiro de 2015, o i noticiou que os primeiros dois linces ibéricos criados em cativeiro e introduzidos em Portugal haviam começado a viver livres na natureza, após terem sido abertas as portas do cercado onde haviam sido libertados no mês de dezembro de 2014 em Mértola. O casal de linces ibéricos, constituído pela fêmea Jacarandá e o macho Kathmandu, foi libertado a 17 de dezembro num cercado de solta branda, no Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG), no concelho alentejano de Mértola, onde viveu, numa primeira fase e até 2 de fevereiro de 2015, num período de aclimatação, acompanhado por técnicos.


À época, o i deu a conhecer que as portas do cercado haviam sido abertas e os dois linces-ibéricos andavam “livres na natureza” e a “percorrer livremente o território, dispersando do local de aclimatação”, situado numa propriedade privada e zona de caça turística, como explicou a Associação Nacional de Proprietários Rurais Gestão Cinegética e Biodiversidade (ANPC), num comunicado enviado à agência Lusa. A ANPC congratulou-se com o “momento histórico” da “libertação efectiva na natureza” dos dois primeiros linces-ibéricos criados em cativeiro e introduzidos em Portugal, no âmbito da reintrodução da espécie no país.






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